Wednesday, April 09, 2008

Jornalista com Diploma

Campanha em Defesa da Formação e Regulamentação Profissional dos Jornalistas
Carta à Sociedade
A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), os 31 Sindicatos de Jornalistas a ela filiados em todo país e o Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ) solicitam a sua adesão à campanha nacional que estamos promovendo em defesa da formação universitária específica de jornalista como condição essencial ao registro para o exercício profissional.
(...)
É importante esclarecer, já de início, que a defesa da formação específica para o exercício do jornalismo está longe de ser uma questão unicamente corporativa. Trata-se, acima de tudo, de atender à exigência cada vez maior, na sociedade contemporânea, de que os profissionais da comunicação tenham um alto nível de qualificação técnica, teórica e principalmente ética. Com este entendimento e:
considerando que, depois de 60 anos de regulamentação profissional e 80 de lutas pela formação superior em Jornalismo, enfrentamos agora a clara ameaça do fim de quaisquer exigências legais para o exercício da profissão de jornalista;
considerando que o ataque à profissão jornalística é mais um ataque às liberdades sociais e às profissões em particular, cujo objetivo fundamental é desregulamentar as profissões em geral e aumentar as barreiras à construção de um mundo mais pluralista, democrático e justo;
considerando que a decisão judicial acarreta claros prejuízos à ética profissional, avilta as condições de trabalho e salariais dos jornalistas e abre espaço para a contratação, nas empresas jornalísticas, de apadrinhados políticos e ideológicos sem a essencial formação específica na área;
considerando que a existência de uma imprensa livre, comprometida com os valores éticos e os princípios fundamentais da cidadania, portanto cumpridora da função social do jornalismo de atender ao interesse público, depende também de uma prática profissional qualificada;
considerando que uma das formas de se preparar, de se formar jornalistas capazes a desenvolver tal prática é através de um curso superior de graduação em jornalismo e que já existe liberdade garantida para quem quiser expor sua opinião na imprensa, como entrevistado ou articulista de uma determinada área;
considerando, finalmente, que se a decisão for mantida, atinge profissionais e estudantes de jornalismo numa de suas principais conquistas, desrespeita as identidades de cada área (e com isso desrespeita também as demais), e fere frontalmente a sociedade em seu direito de ter informação apurada por profissionais, com qualidade técnica e ética, bases para a visibilidade pública dos fatos, debates, versões e opiniões contemporâneas, atacando portanto o próprio futuro do país e da sociedade brasileira;

solicitamos o seu engajamento nesta campanha em defesa da formação superior específica para o exercício da profissão de Jornalista, através da promoção e/ou participação em atividades programadas pela FENAJ, Sindicatos e FNPJ e também do envio de moção de apoio para: STF (Supremo Tribunal Federal), TRF 3ª Região (Tribunal Regional Federal da Terceira Região), STJ(Superior Tribunal de Justiça), Procuradoria-Geral da República, Câmara Federal e Senado, Procuradoria-Geral do Trabalho,Tribunal Superior do Trabalho e Conselho Superior da Justiça Federal, além do encaminhamento de uma cópia para a FENAJ. Os endereços eletrônicos seguem abaixo. O modelo de moção (..) pode ser encontrado nos sites da FENAJ, do FNPJ e dos Sindicatos em todo o país.

Saudações sindicais!
Brasília, junho de 2005
www.fenaj.org.br

Tuesday, April 08, 2008

50 anos de Rock

http://veja.abril.com.br/especiais/rock/base.html

É Veja e talz, mas tá muito bom!
Tirando a parte em que fala que Sid matou Nancy. Alôô, ninguém nunca provou isso!

Monday, April 07, 2008

Motivação?

"Por que as pessoas são tão cruéis?"
"Ódio. Loucura, não sei..."
Esse é um diálogo do filme "Hotel Ruanda", de Terry George. Já tem um tempo que assisti, mas sempre lembro dessa parte; é quando o país está entregue à guerra e os "brancos" já tinham ido embora. O gerente do hotel, Paul, conversava com um de seus funcionários, e sua resposta é espetacular. "Ódio."
Concordo. Quer dizer, não tem nem como discordar, tem? Ninguém mata porque gosta ou porque está entediado, a menos que tenha problemas mentais... Pelo menos, é nisso que eu quero acreditar.
Mas depois eu continuo.
Essa tendinite no meu pulso está realmente me matando...

Sunday, April 06, 2008

Declare guerra

Vivendo num tempo fechado
Correndo atrás de abrigo
Exposto a tanto ataque, você tá perdido
Nem parece o mesmo, tá ficando pirado
Onde você encosta dá curto
Você passa, o mundo desaba
E pra te danar, nada mais dá certo
E pra te arrasar, os falsos amigos chegam
E pra piorar, quem te governa não presta
Declare guerra a quem finge te amar, declare guerra
A vida anda ruim na aldeia
Chega de passar a mão na cabeça de quem te sacaneia
Vivendo num tempo fechado
Correndo atrás de abrigo
Exposto a tanto ataque, você tá perdido
E pra se ajudar, você faz promessas
E pra piorar, até o Papa te esquece
E pra te arrasar, só o inferno te aceita
Declare guerra a quem finge te amar, declare guerra
A vida anda ruim na aldeia
Chega de passar a mão na cabeça de quem te sacaneia

"Declare Guerra", Barão Vermelho.
Na foto, Palácio do Planalto.

Saturday, April 05, 2008

Cars Petition

ACTION ALERT
Cars petition

Europe: Don't let Sarkozy and Merkel drive roughshod over climate protection law. Sign the petition
Dear friends,
This is really important, can you please take two minutes to sign our cars petition and send this email to your network of friends?
The heads of France and Germany are about to conclude a bilateral deal, which threatens to water down (already weak!) European legislation tackling CO2 emissions from cars. We've made a petition for the European Council's current President, demanding that he and other heads of state stand up for the climate.
CLICK HERE TO SIGN THE PETITION NOW.
We'll deliver the petition to the President of the European Council on Monday, and every day next week.
The German government is driving this--putting the immediate commercial interests of German luxury car-makers before the safety of the planet. Sarkozy is riding along with Merkel because he needs Germany's support for his grand plans for a Mediterranean Union.
Two wheels better than four,
Mel, Martin, Richard, Eoin and the car campaign team
P.S. Please remember to forward this email to friends. Together we can stop this! Feel free to repost this message on your blog or profile page too.
Greenpeace.

Thursday, April 03, 2008

Bruxa


"Porque nem toda feiticeira é corcunda."
:D

Wednesday, April 02, 2008

Amar

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal,
senão rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e
uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuido pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.


"Amar", Carlos Drummond de Andrade.

Monday, March 31, 2008

O_O


O único cara na Terra que pode usar esse bigodinho de motoboy :D

Saturday, March 29, 2008

Chapter LX


"How could you begin?'' said she. "I can comprehend your going on charmingly, when you had once made a beginning; but what could set you off in the first place?''

"I cannot fix on the hour, or the spot, or the look, or the words, which laid the foundation. It is too long ago. I was in the middle before I knew that I had begun.''

"My beauty you had early withstood, and as for my manners -- my behaviour to you was at least always bordering on the uncivil, and I never spoke to you without rather wishing to give you pain than not. Now be sincere; did you admire me for my impertinence?''

"For the liveliness of your mind, I did.''

"You may as well call it impertinence at once. It was very little less. The fact is, that you were sick of civility, of deference, of officious attention. You were disgusted with the women who were always speaking, and looking, and thinking for your approbation alone. I roused, and interested you, because I was so unlike them. Had you not been really amiable, you would have hated me for it; but in spite of the pains you took to disguise yourself, your feelings were always noble and just; and in your heart, you thoroughly despised the persons who so assiduously courted you.''


"Pride & Prejudice", Jane Austen
Na foto, Mr. Darcy (Colin Firth) e Elizabeth Bennet (Jennifer Ehle) em uma série produzida pela BBC em 1995 com o mesmo nome do livro.

Miss Austen's books

When I was in high school, I had a crush on a boy. This would have been around 1966 or 7. We had a class together and some mutual friends. Occasionally we would both be at the same house with the same group of kids after school.
I was very, very careful to do no thing to betray to anyone the fact that I liked him.I was not the only one who did; I believe there were at least three of us, all equally circumspect, so I’m only guessing. But then there was a fourth, one girl who made no secret of her interest. While the rest of us watched in dismay and disapproval, she pursued. She insisted on sitting next to him when seats were taken, on his lap in a crowded car. If he said he was going somewhere, she immediately tagged along.
She called him at his home. We called each other at our homes to discuss all this in some detail. It was embarrassing to see. And very stupid of her. If there was one thing we knew for sure it was that boys didn’t like to be chased.
Our disapproval changed to outrage when they became a couple. In our minds, the rest of us had been playing by the rules. This other girl had simply, straightforwardly said what she wanted. In what world did that work for women? She’d won by cheating.
Reader, she married him. It was as if Mr. Darcy had chosen Lydia Bennet instead of Elizabeth.
I was about fourteen when I read my first Austen novel. I can’t remember which one it was; I finished several in short order. I was pleased to find them easy to read and silly enough to credit myself with that instead of Austen. I fell easily into the rhythm of her sentences and her world made sense to me. More than that, it felt familiar.
In those early readings, I noticed none of the things in her books that interest me now. I was charmed by her young heroines and their struggles for love. Austen and I were all about romance and we shared some ideas about how that worked.
In the world where I grew up, girls came into the sixties having been taught that happiness was achieved by following the rules, that deviation from the rules would result in ruin and regret. Should you kiss a boy goodnight? Sure thing (from an advice column in Seventeen magazine) “just as long as you’re willing to run the risk of having yourself foot-noted as an ‘easy number.’” Just as long as you never planned to marry some nice boy someday.
We left the sixties in quite a different frame of mind.
I went to college. I took a class in Rhetoric where the professor told us it wasn’t in a woman’s nature to get her way by constructing a persuasive argument. Fortunately, he said, women had alternatives to logic. We were pretty young girls; he didn’t understand why any of us were taking his class. I took a class in genetics with a section on primate behavior. Female primates were covered in a single paragraph. “Immersed in the tasks of procreation and motherhood -- let’s be honest,” the professor said. “Not very interesting.”
Also not very interesting -- female writers. There was a sad lack of war, prostitution, and drunken debauchery -- the real stuff of life -- in their books. They didn’t even do women very well, being too competitive to let another woman, even fictionally, look good. Only a few of these authors escaped censure, those who knew their place and stuck to it. Those who wrote little books, and occasionally little masterpieces. Austen fell into this last category.
I reread Austen during those years, not in my classes, but on my own. I found that her books had utterly transformed. They weren’t romances at all. Instead they were about the controlling force of economics on the intimate lives of women.
How could I ever have thought there was nothing more at stake in these books than some 19th century version of a date for the prom? I should have paid more attention to Charlotte Lucas’ marriage to Reverend Collins, to the sad story of Fanny Price’s mother. This time through, I saw women fighting for their lives in a rigged game. Though a few managed, through marriage, to snatch a genuine hope of happiness, even among the heroines many were merely making the best of a bad bargain.
Is the romance plot reactionary or revolutionary, I asked myself. How much freedom can a woman expect to enjoy in her own home? Is sexual promiscuity a tactic of liberation or does it play right into the hands (so to speak) of the patriarchy? Paradoxically, these were also the readings in which I first noticed how funny Austen is.
The third time I read Austen I was a mother with two small children. Here’s how busy I was: in the first year of my son’s life, while I nursed, I made mental lists of everything that had to be accomplished that day. I divided this list into items that could be done one-handed and items required both. This was so I wouldn’t waste his valuable nap time on something I could have done while holding him. I was so tired I could only manage to read books I’d already read.
But once again Austen’s had changed on me. This time through, they were clearly more about family than about courtship. How unsatisfactory the parents in her books are! The mothers are dead or silly. The fathers are vain or fussy or drunkards or absent or absent-minded. This time through, I noticed servants in the shadowy corners of the books, cooking the meals, helping the heroine dress, minding the children. Her principal characters were left with so little to do. Had anyone anywhere ever enjoyed so much free time?
(Me, of course. As a child, back in school, and back when I first read her. Back when I had long afternoons, long weekends, long summers to myself. Meals appeared on the table, clean clothes in the closet. I remembered nostalgically how it felt to be bored. And more of the same had been promised. We’d been told we were on the verge of copious amounts of leisure time all made possible by the advance of technology. In one high school class I was actually assigned a paper on the looming leisure problem. Part one: what societal issues did I foresee in this future where we’d all have nothing to do? Part two: what were my solutions?)
The Austen heroine went for walks, practiced the piano. She wrote letters, visited friends, rode horses if her health required it, went on picnics, did riddles, refused to participate in amateur theatricals. It hardly filled a single day.
This time when I read Austen it all took place in some world lost a very long time ago. The women in it were trapped and constricted, just as I’d thought, but also privileged. Once again, Austen proved more complicated than I’d realized.
I still reread Austen every few years. I always find surprises, but the books have settled on me (except for maybe Mansfield Park) and no longer turn completely upside down and inside out with each rereading. What I like best about Austen now is Austen. I love her voice, her observation, her wit. I read her just to spend that time with her. The older I get, the smarter she looks.
In the last few months, I’ve heard from many, many readers who love Austen (and quite a few who don’t. They generally begin by apologizing. I’m forced to forgive them.) Some of the former love her in a nostalgic way. They don’t care for updated versions. They want books with genteel language, quiet plots. We live in an ugly world. They want no part of it.
Others read her in the same way they’d read a fantasy novel, like Tolkien if only The Lord of the Rings had women in it. They read her to go somewhere exotic. And others tell me that we still live in Austen’s world. They recognize the characters. They recognize the rules. We’re fooling ourselves, they say, if we think anything has really changed.
Rather than settle the question, I’ve chosen to simply admire Austen for managing to provide so many completely contradictory things to so many completely different people. Which reading is the right one? All of the above and more. As a writer, I often ask myself how she does this. As a reader I don’t care that I can’t answer.


Karen Joy Fowler, autora de "The Jane Austen Book Club"

Friday, March 28, 2008

Paz

Refiro-me, nessas linhas, à paz intramuros do Brasil, o que já se trata de um gigantesco desafio, não incluindo a paz entre países. Circula na internet uma propaganda que seria do publicitário Washington Olivetto, sobre exatamente esse tema. Muito bem redigida, a mensagem da propaganda, que é composta basicamente dela, diz em certo ponto: “Pegue o estoque de paz que você ainda tem em casa e use no trânsito, use na fila do banco, use no elevador, use no futebol.” O amigo que me mandou essa propaganda, na última vez, a remeteu com um bilhete dizendo que ficou emocionado pela beleza do poema, referindo-se à mensagem, e pela grandeza dela.
A maioria das pessoas não se dá conta que, com certa freqüência, na natureza, uma ocorrência é função de vários fatores, que atuam simultaneamente para ela existir. É de causar espécie ver o reducionismo com que pessoas analisam uma qualquer ocorrência, admitindo uma única causa para explicá-la, o que nos permite desconfiar que essa atitude esconde algo mais que uma simples distração.
A paz tão apregoada nesse comercial e em camisetas na Vieira Souto no Rio e em faixas nas sacadas de prédios de alto poder aquisitivo é, na realidade, função de diversos fatores, como o caráter de cada cidadão, o equilíbrio emocional de cada um, a repressão para proteger a sociedade dos indivíduos de instinto mau, a justiça social, o modelo transmitido para a sociedade pela elite e outros que estou esquecendo.
Por que será que o Olivetto não colocou “Pegue o estoque de paz que você ainda tem em casa e use no trânsito etc.” e não complementou com “no ato de pagar salários”? Por favor, não me digam que o valor dos salários é ditado pelo mercado, porque eu estou falando de distribuição de lucros, de melhoria da distribuição de renda e de justiça social. Parece-me que o Olivetto não quer, no seu comercial, tocar nesse ponto, que, aliás, só é tocado em poucas das análises da causa da violência.
De tanto se discutir, hoje, sobre essa questão, quem continuar reivindicando somente aumento da repressão, estará contribuindo para o aumento da violência, pelo argumento agredir as bases de um diálogo entre classes indutor da paz. Isso tudo sem negar que uma das ações necessárias possa ser o aumento da repressão para quem a merece receber. Mas, sem justiça social, não há, também, a paz tão justamente desejada. Justiça social e repressão aos maus caráteres da sociedade são duas condições necessárias para a paz, mas, isoladamente, cada uma delas não é suficiente.


Paulo Metri, diretor do Instituto Solidariedade Brasil.

Wednesday, March 26, 2008

Uma verdade


Quando se sonha demais, a realidade nunca é suficiente. E é esse o defeito dos escritores.


Essa foi umas das coisas que aprendi através dela.
De qualquer jeito, não se deve parar de escrever.
E nem de sonhar.
no retrato, Jane Austen

Tuesday, March 25, 2008

Brinde!!

"Elogio do grande público - uma teoria crítica da televisão", Dominique Wolton.
"Jornal Nacional - a notícia faz história", Jorge Zahar.
Um caderno maneiro.
Uma caneta.
Um panfletinho super arrumado.
Uma pasta bem legal.

Esse foi o preço necessário para me comprar.
Pronto. Eu adoro a Globo agora :D

Sunday, March 23, 2008

As coisas que eu não fiz

Há coisas que o coração não esquece. A gente pode até não pensar mais sobre isso, mas pequenos acontecimentos trazem tudo à tona de novo... E sabe o que é o pior? É que, em vez de as coisas ficarem melhores, isso piora tudo. A gente começa a agir estranho, a não ser espontâneo, a medir nossas ações... E, assim, o que era próximo se torna distante. O conhecido se torna um estranho, e seria melhor se o coração simplesmente tivesse uma memória restrita... Há coisas que a gente não quer sentir, mas sente... E isso é uma merda. Perder o controle é uma merda. Não seria bom se a gente pudesse controlar tudo direitinho? Cada gesto exagerado, cada olhar que diz mais do que deveria... Ou se a gente pudesse fazer tudo que a gente quer fazer... Um abraço, dizer uma certa frase, segurar a mão, mostrar que se importa, que seus modos ensaiados são uma forma de mascarar o que sente... Mas acho que falta coragem para isso. E nem tudo é como a gente quer... ainda mais quando se está tão longe.

E eu quero mais uma semana sem aula!

Não deu para ver todo mundo que eu queria e não deu para matar a saudade das pessoas que eu vi...

Saturday, March 22, 2008

ECA

"Não, porque eu estou muito atrasada lá, falando sério... Todo mundo já leu tudo de Freud, de Kafka, de um povo lá que eu nem sei quem é... E eu devo ser a única que só fala um idioma a mais na sala! Tipo, inglês já é primeira língua, sabe?"
"Em compensação, ninguém tá aprendendo árabe..."
"Ha, mas sabem alemão, espanhol, mandarim, sânscrito..."
"..."
"Acredita em mim agora?"
"É, estou começando a acreditar na sua teoria: você teve sorte mesmo. Quanto foi a concorrência mesmo?"
"De tudo junto, com segunda fase, foi 62 pra 1."
"Mas que façanha foi essa???"
"Aquele espírito inteligente que gosta de mim deve ter baixado de novo."

Ah, mas que orgulho!!!!!
Melhor universidade da América Latina, meu bem!!
Por sorte ou não, estou dentro ;p
Mas que tinham que fazer alguma coisa com aquele circular maldito, tinham.

Uau!

Mas não me pergunte o que significa.

Tuesday, March 18, 2008

Yeah, yeah, yeah!

Chatos, antipáticos, insuportáveis, autores das frases mais polêmicas... E seria no plural mesmo?? De qualquer jeito, Oasis não seria Oasis sem Liam Gallagher... e é mais foda ainda por causa dele x)

Saturday, March 15, 2008

Better thank my lucky stars...

I've been waiting a long time for this moment to come.
I'm destined for anything at all.
Downtown lights will be shining on me like a new diamond ring out under the midnight hour.
Well, no one can touch me now
Well, and I can't turn my back
it's too late ready or not at all.
Well, I'm so much closer than I have ever known...
wake up!
Dawning of a new era calling
Don't let it catch ya falling, ready or not at all.
Well, so close enough to taste it.
Almost I can embrace this feeling on the tip of my tongue.
Well, I'm so much closer than I have ever known...
wake up!
Better thank your lucky stars!
I've been waiting a lifetime for this moment to come.
I'm destined for anything at all.
Dumbstruck, colour me stupid.
good luck, you're gonna need it where I'm going if I get there at all...
Well, I'm so much closer than I have ever known...
wake up!
Better thank your lucky stars!

Friday, March 07, 2008

Todo dia é dia da Mulher

Não me passou pela cabeça, quando escrevi meu romance (Banat Al-Riyadh), que ele seria lançado em qualquer outro idioma que não o árabe. Não achei que o Ocidente fosse se interessar por ele. Sinto, como sentem muitos outros sauditas, que o mundo ocidental ainda nos vê com uma perspectiva romântica, como a terra das Mil e uma noites, lugar onde xeiques barbudos se sentam sob tendas cercados por suas belas odaliscas; ou, com um olhar político, como a terra onde nasceram Bin Laden e outros terroristas, o lugar onde as mulheres se vestem de preto da cabeça aos pés e onde cada casa tem um poço particular de petróleo no quintal! Por isso, eu sabia que seria muito difícil, talvez mesmo impossível, mudar esse clichê. Mas o sucesso do meu livro no mundo árabe foi suficiente para me marcar como um membro da sua sociedade intelectual, o que me conferiu algumas responsabilidades. Além do mais, nascida numa família que valoriza outras culturas e outros países e sendo saudita orgulhosa que sou, senti ser meu dever revelar um outro lado da vida do meu país ao mundo ocidental. A tarefa, porém, não foi nada fácil.
(...)
Espero que, quando acabar de ler esse livro, você diga a si mesmo: "nossa, essa é uma sociedade islâmica muito conservadora! Nela, as mulheres vivem sob o domínio masculino. Mas, apesar de tudo, são cheias de esperança, planos, resoluções e sonhos. E se apaixonam e desapaixonam perdidamente como qualquer outra mulher."
Espero também que você veja que, pouco a pouco, essas mulheres começam a construir seu próprio caminho -não o caminho ocidental, mas um outro que conserve o que existe de positivo nos valores da nossa religião e da nossa cultura, embora admita reformas.
Prefácio da autora, Rajaa Alsanea, em "Vida dupla: um romance sobre o Oriente Médio hoje".

Tuesday, March 04, 2008

Aff

Sala cheia e silenciosa. Um ventilador ligado, microfone e água na mesa em frente à "platéia", que espera, ansiosa. Zeca Camargo entra, senta e, todo sério, fala:
"Oi, meu nome é Zeca Camargo."
Silêncio... até que uma voz surge de algum lugar, baixa, mas ainda sim audível:
"Nossa, ninguém sabia disso..."
Risadas por toda a sala. Um Zeca Camargo embaraçado e sorrindo, sem graça, retruca:
"Ah, ninguém tem obrigação de assistir 'Fantástico' e saber quem eu sou..."
Mais risadas.

Eu juro!
Eu estava falando comigo mesma, sério! Só pensei alto...

Começo de ano letivo bom esse... ¬¬.
Pelo menos eu tirei foto com ele o.O

Saturday, March 01, 2008

Anticurso de Jornalismo

2º Anticurso de Jornalismo Caros Amigos

A visão "Caros Amigos" de fazer e pensar o jornalismo. Sobre a exigência de diploma, a mídia grande, o mito da imparcialidade e do ouvir os dois lados, o manual de redação, o repórter telefônico, a supressão da criatividade, as "fontes". Aberto a estudantes, profissionais da comunicação e interessados em geral.
Duração: dois finais de semana de março (sábado e domingo)
Datas: 8, 9, 15 e 16 de março
Local: Escola da Cidade - Rua General Jardim, 65 - Metrô República - São Paulo / SP
Palestrantes: José Arbex Jr., Ferréz, Mylton Severiano, Cláudio Tognolli, Sérgio Pinto de Almeida, Marcos Zibordi, Georges Bourdoukan, Hamilton O. Souza.
Contatos para inscrição: anticurso@carosamigos.com.br ou pelo telefone (11) 3819-0130
Inscrições também pelo site www.carosamigos.com.br
Nem preciso dizer que já estou lá, certo?
:D

Wednesday, February 27, 2008

USP =)

Então....











No dia que eu conseguir chegar na ECA sem me perder, vou merecer um prêmio.

Wednesday, February 20, 2008

Diane II

Tuesday, February 19, 2008

Uma mulher de Cabul

"Eu quero lutar com minha caneta. Eu lutaria através da força, com uma arma, mas assim teria de matar outras pessoas. Não quero fazer isso, mesmo que não sejam pessoas boas. Elas não precisam ser mortas, precisam aprender a tornarem-se humanas."

Marina, em "Mulheres de Cabul", de Harriet Logan.
Cabul na foto.

Monday, February 18, 2008

Fly

Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise.
Blackbird singing in the dead of night
Take these sunken eyes and learn to see
All your life
You were only waiting for this moment to be free.
Blackbird fly
Into the light of the dark black night...

"Blackbird", The Beatles.

Sunday, February 17, 2008

Billie Joe


I was a young boy that had big plans, now I'm just another shitty old man. I don't have fun and I hate everything. The world owes me, so fuck you. Glory days don't mean shit to me, I drank a six pack of apathy. Life's a bitch and so am I. The world owes me, so fuck you. Wasted youth and a fistful of ideals... I had a young and optimisitic point of view. I've decomposed, and my gut's getting fat. Oh my god, I'm turning out like my dad! I'm always rude, I've got a bad attitude. The world owes me, so fuck you. The wife's a nag and the kid's fucking up... I don't have sex 'cause I can't get it up. I'm just a grouch sitting on the couch. The world owes me, so fuck you.

Happy birthday, sucker ;p

"The Grouch", Green Day.

Friday, February 15, 2008

Uma fotógrafa do mundo real

"A photograph is a secret about a secret. The more it tells you the less you know."
Diane Arbus

Thursday, February 14, 2008

Blah, blah, blah...

Certo. Lá estava eu, lendo Veja -sim, agora eu leio Veja, minha mãe venceu... mas é que, para reconhecer um jornalismo bom, a gente tem que conhecer o ruim, certo?? E é bom comparar os enfoques que a mídia dá para um mesmo tema. Além do mais, até meu pai, capitalista elitista do que jeito que é, concordou comigo que tem alguma coisa errada em uma revista que, em uma reportagem, fala que apenas 24% dos jovens brasileiros está na faculdade e, em outra, começa falando que os jovens brasileiros já estão formados aos 23 anos e que o gasto médio da criação de um filho no Brasil é de 1,6 milhão!!! Quer dizer, alôôôô, ela cita que os jovens de hoje fazem esportes como esqui, equismo, etc, etc, e que o gasto mensal em festas e cinemas é de mais ou menos 1100 reais! Que família é essa, pelo amor de Deus? Ela nem representa os 24% dos jovens na faculdade, representa, tipo, 5%, e olhe lá!!! Mas o caso está justamente aí, é uma revista focada nesses 5% dos brasileiros... E ainda fala que é essencial para o tipo de país que o Brasil quer ser ¬¬ E, taquepariu, o que foi aquilo no meio da reportagem de interferência na mente humana?? Falando que o ulemá ou o sei-lá-o-que poderia intervir nas mulheres "rebeldes" para que elas passassem a usar a burqa... Cara, tá, é um exemplo e tal, mas o que isso tem a ver com o assunto? A Veja não perde uma oportunidade de colaborar com a imagem estereotipada do mundo muçulmano e do Islã... É, realmente tem sido bastante educativo ler Veja de novo.
Sim... Lá estava eu, lendo Veja, quando percebi que sempre há uma citação de países europeus e outros desenvolvidos como exemplo para o Brasil. Certo, eles não são chamados "desenvolvidos" por nada, mas é que... Bem, para que o rico se sustente, é preciso existir o pobre. Seja mão-de-obra, seja indústria sucateada, seja para apoio político, sei lá... Então eu não acho que o Brasil vai conseguir se igualar a uma Inglaterra ou a uma França, pelo menos se o modo de produção atual continuar vigente. Além do mais, se o Brasil é tão atrasado, miserável e corrupto como muitos insistem em repetir -inclusive a maioria do jornalistas da Veja através do sarcasmo idiota deles - e está uns duzentos anos atrás da linha evolutiva dos países hoje considerados "desenvolvidos", porque insistem em colocar tais exemplos a serem seguidos? ... Tá, acho que não estou me fazendo entender, mas o caso é o seguinte: já que o sistema capitalista é feito de contrastes e de exploração -e nem a pessoa mais capitalista do mundo pode negar isso -, por que o Brasil insiste em tentar ser igual aos países dominantes que sempre vão estar além dele nessa evolução história que a gente está seguindo? Quer dizer, desde a sua descoberta, o Brasil sempre tentou ser igual aos europeus. Só que, depois de 500 anos, acho que os brasileiros já deveriam ter percebido que esse caminho não está dando muito certo, já que não é viável segundo o capitalismo. A gente acaba fazendo essa imitação forçada e fajuta das democracias desenvolvidas, e nós acabamos mergulhados em inúmeras falhas, que permitem o roubo e a corrupção. Por que não paramos de tentar copiar a história dos outros? Os brasileiros não podem criar uma própria linha evolutiva que esteja de acordo com a cultura do país?? Está na hora de trocar o exemplo estrangeiro pela motivação nacional, ainda mais agora, que o país está perdendo sua identidade... e, sabe, se você parar para pensar bem, os países desenvolvidos nunca imitaram ninguém... eles sim é que tiveram motivação nacional.
E não, não estou propondo uma revolução vermelha nem nada do tipo -as pessoas insistem que minha resposta é essa, mas não é. Se eu tivesse uma resposta, não estaria aqui, agora, escrevendo no meu blog. Até porque eu concordo com Milton Santos: acho a teoria marxista fantástica e talz, mas ela foi lançada no século XIX para o século XIX... Ela adquire um caráter muito mais complexo e profundo, sendo atualizada para o nosso século. Afinal, o próprio Marx era dialético, e o que é síntese hoje, não apenas pode, mas deve ser tese amanhã.

Tuesday, February 12, 2008

Bye bye, baby.

They're trying hard to put me in my place and that is why I've gotta keep running. The future is mine and it's no disgrace cos in the end the past means nothing. You tell me I'm free then you tie me down, and from my chains I think it's a pity. What did it cost you to wear my crown?? You dont like me, why don't you admit it?
D'you feel a little down today? Bet you ain't got much to say... But your gonna miss me when I'm not there. You know I don't care, you know I don't care!
As we beg and steal and borrow, life is hit and miss and this... I hope, I think, I know. And if I hear the names you call, if I stumble, catch me when I fall, cos baby after all, you'll never forget my name.

"I hope, I think, I know", Oasis.

Sunday, February 10, 2008

Across the universe


Cara, muito bom!!
E a trilha sonora, nem se fala, né?
:)

Saturday, February 09, 2008

Universitária

Não, não estou nem um pouco nervosa.
Só vou morar sozinha em São Paulo. Eu, uma pessoa que, para acertar um caminho, tem que andar umas dez vezes pelo mesmo lugar. Eu, que não sei fazer nem miojo, vou cozinhar pra mim mesma -e ainda comida vegetariana. Eu, uma menina de 17 anos com cara de 12, vou voltar da cidade universitária onze horas da noite andando. Eu, com minha tendinite infernal, vou lavar minha roupa.
Nem um pouco nervosa. Até porque acho que já era hora de eu me virar sozinha, certo?? Tá, moro sem meus pais desde os treze anos, mas não assim, sem mais ninguém... ainda mais em uma cidade pequenininha que nem São Paulo!
Feliz, antes de tudo. Não é todo dia que se passa em jornalismo na USP :D
E o que a gente não faz pelo o que a gente realmente quer, não é?
Mas, cara, a fuvest me matou!
Eu não sei mais nada agora, não lembro mais de coisas que eu passei o ano inteiro estudando e ainda acho que todas as palavras que escrevo estão erradas...
putaquepariu.

Thursday, February 07, 2008

*-*

FUVEST 2008
Convocados para a Primeira Chamada
CARREIRA 242-Jornalismo
CURSO 67-Jornalismo - Noturno
4208476 ALICE PONS AGNELLI
4238505 ALINE SILVA DE SENZI
5214005 ANA CAROLINA DE MENDONCA ALVES
8655485 ANA PAULA MARTINHO SALTAO
2444549 CLARA DE MAGALHAES VELASCO BASTOS
8615971 EDGAR PENAZZO LEPRI
2631082 EDUARDO NAVARRO GRAZIANI FILHO
1201811 FABRICIO DO CARMO S DE OLIVEIRA
2800568 FELIPE ANTONIO PAULON FONTES
1601257 FELIPE LOBO BATISTA
3203394 FELIPE MAEDA CAMARGO
4440574 FELIPE MAIA FERREIRA
4239094 GABRIEL DE LIRA FERNANDES
8402382 GUILHERME GOES AMICI
2432931 HELOISA GUILHERME FAVARO
3639484 HUGO NOGUEIRA NETO
2202243 JULIANA BARRETO TAVARES
3201436 LEONARDO FRANCO MARTIN
2249015 LUCAS TRISTAO DIAS DE SOUZA
2219399 LUIZA LEAL DA CUNHA
4021050 MARIA CAROLINA REICHMANN RODRIGUES
6613295 MARIA CECILIA DA SILVA MARTINS
8403670 MARIANA DE LIMA JUNQUEIRA FRANCO
2203338 MARIANA MIDORI ISAGAWA
8645726 MARINA PINHONI SILVA
5401097 MARTINA MEDINA CAVALCANTI
6282330 NILBBERTH PEREIRA DA SILVA
2421269 RAFAEL CHAVES NAKAMURA
8200142 TULIO HELENO DE AGUIAR BUCCHIONI
4209005 VICTOR SABBAG CAPUTO

Tuesday, January 29, 2008

Correções alheias

"E, além do mais, ainda ficava fazendo caras e bocas toda vez que ele falava alguma coisa errada em português... Por isso que não dá certo."
"Aff, que rídiculo! Será que as pessoas se valorizam ao ponto de julgar e corrigir as outras pessoas?"
"Hmm, você ainda é muito nova, ainda não viu nada."
Não, falando sério, uma das coisas que eu mais ODEIO é quando alguém corrige o português de outra pessoa. Tá, se for em uma prova, algum documento ou trabalho, sei lá, aí tudo bem... Mas na internet ou quando a pessoa está falando??? Afinal, nesses casos, usamos o português coloquial, e, sabe, português coloquial não se corrige. Quer dizer, quem é que sai por aí falando "Dê-me..." ou "Ponha-me" e etc, etc??? É a mesma coisa de falar uma palavra errada ou usar o plural errado, que seja... Ainda considerando que, em nosso país, são pouquíssimos aqueles que conseguem receber uma boa educação e sabem todas as regras gramaticais -acho que esses últimos nem existem. E, além do mais, o idioma está em função do povo e não o povo que está em função do idioma. Se a língua faz parte da identidade nacional, e essa identidade representa o povo de uma nação, então o povo é que cria a língua. Afinal, já teve uma época que "você" era errado e coloquial...
É por isso que eu acho a maior falta de humildade e uma atitude super arrogante quando alguém dá risada de outra apenas porque esta falou "pentiar", "a gente fomos" ou "as coisas é". E olha que eu adoro gramática e português e, por isso, percebo logo esses erros... mas dar uma de superior só porque a outra pessoa falou errado porque não sabe ou por outro motivo qualquer?? Ah, fala sério!! Eu também erro, todo mundo erra!
Isso é RIDÍCULO.

A suposta ajuda

Deixei o gravador reproduzir suas tão recentes palavras que até pareciam eco. Ele se ouviu, maravilhado, acenando a cabeça em constante anuência. No fim, reforçou ordem com ordem:
-E não quero esse italiano a escutar as palavras. Ouviu? Ainda não confio cento por cento nesse fidamãe.
-Mas pai, esse italiano nos está ajudar.
-A ajudar?
-Ele e os outros. Nos ajudam a construir a paz.
-Nisso se engana. Não é a paz que lhe interessa. Eles se preocupam é com a ordem, o regime nesse mundo.
-Ora, pai...
-O problema deles é manter a ordem que lhes faz serem patrões. Essa ordem é uma doença em nossa história.
Dessa doença, segundo ele, se refazia em nós essa divisão de existências: uns moleques dos patrões e outros moleques dos moleques. A aposta dos poderosos -os de fora e os de dentro -er uma só: provar que só colonizados podiámos ser governados.

"O último voo do flamingo", Mia Couto.
Soldado americano no Iraque.

Sunday, January 27, 2008

Oh, no...

Yeah, right...

Friday, January 25, 2008

Angie

Angelina Jolie, embaixadora da UNHCR, ouvindo as preocupações das recém-chegadas refugiadas afegãs em Jalozai, Paquistão. Em agosto de 2001, o Paquistão estava abrigando mais de dois milhões de refugiados; muitos já retornaram ao Afeganistão.

E, sim, eu quero ser que nem ela quando eu crescer :D

Tuesday, January 22, 2008

Querido Diário II

Cartão de Identidade
Mahmud Darwish

Escreve!
Sou árabe.
(...) As minhas raízes foram criadas antes do inicio dos tempos,
antes do nascimento das eras,
antes dos pinheiros e das oliveiras.
Antes que tivesse nascido a erva.

(...) Escreve!
Sou árabe.
Roubaste os pomares dos meus antepassados
e a terra que eu cultivava com meus filhos;
não me deixaste nada, apenas estas rochas.
O governo vai tira-me as rochas, como me disseram?

Escreve, então no alto da primeira página:
a ninguém odeio, a ninguém roubo.
Mas, se tiver fome,
Devorarei a carne do usurpador.
Tome cuidado!
Cuidado com minha fome,
cuidado com a minha ira!

Afinal, o fundamentalismo muçulmano não é algo que surgiu espontaneamente; a meu ver, ele é a resposta que os árabes encontraram para superar todos os fracassos políticos, sociais e econômicos que eles vêm sofrendo já há alguns séculos. Esses conflitos, aliás, tiveram como uma das várias razões a invasão ocidental no Oriente Médio, um processo simultâneo ao "fracasso" árabe que perdura até hoje.
Há questões internas também, é claro, como a grande quantidade de etnias de culturas e religiões diferentes -ou não -presentes na região. Mesmo esse ponto, porém, apresentou um agravamento por causa dos ocidentais, já que, durante o processo imperialista, minorias étnicas foram fortalecidas pelos invasores para favorecer a invasão e facilitar o controle das regiões -prática também presente na África. Após as independências, essas minorias passaram a exercer os governos em áreas extremamente heterogêneas.
Como eu estava dizendo antes, porém, o fundamentalismo é uma reação principalmente à modernidade -não representa, entretanto, uma oposição direta a esta, já que se utiliza da própria modernidade para crescer e agir em todo o mundo. Após muitas invasões, tentativas de independência, de democracia e de crescimento econômico e até de uma revoluçâo islâmica (Irã, 1979, liderada pelo aiatolá Khomeini), os muçulmanos finalmente partiram para o radicalismo religioso (já que o secularismo não dera certo). Estavam humilhados, isolados do resto do mundo, explorados e rebaixados em sua própria crença. E logo o vasto império muçulmano, que florescera e representara a própria modernidade na sua Idade de Ouro...
E, agora, lá estão os ocidentais novamente invadindo o Oriente Médio, matando-o mais, humilhando-o mais, explorando-o mais uma vez. Não é à tôa que o 11 de setembro aconteceu e que tantos atentados ainda acontecem -não justificando, é claro; explicando. Afinal -e acho que você concorda comigo -, não é por pouca coisa que um homem ou uma mulher prende uma bomba ao peito e a aciona apenas com o intuito de matar outras pessoas. Não pode ser pouco ódio, desespero e desesperança que essa pessoa sente para chegar a ponto de dar sua própria vida assim -e ódio, desespero e desesperança são reações.
Por isso, o "Tome cuidado!" é certo; para toda ação, há uma reação, ainda mais quando essa ação já dura quase um milênio...
Outro momento "Querido diário"...
Eu peguei esse poema em "Terror e esperança na Palestina", de José Arbex Jr.
Para todos que nunca leram, é um livro fantástico.

Bye bye!

Agora, depois que Obama falou que vai buscar a cabeça de Bin Laden no Oriente Médio, eu perdi um pouco as esperanças para essa eleição... Logo o candidato que parecia mais promissor >.<

Monday, January 21, 2008

ABC

"Paulinho, vamos estudar?"
"Hmm... Não."
"Se você não estudar, não vai poder jogar video game."
"Ah... Tá bom, então."
"Vamos lá: D + A..."
"Ba."
"D+E..."
"Te."
"D+I..."
"Ti."
"D+O..."
"Bu."
"Ah, desisto! Vá jogar, vá!"

Quando eu digo que meu irmão é a reencarnação de Joey Tribianni, ninguém acredita...

Saturday, January 19, 2008

Querido diário

Igual-desigual Drummond.

Eu desconfiava:
todas as histórias em quadrinho são iguais.
Todos os filmes norte-americanos são iguais.
Todos os filmes de todos os países são iguais.
Todos os best-sellers são iguais.
Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são
iguais.
Todos os partidos políticos
são iguais.
Todas as mulheres que andam na moda
são iguais.
Todas as experiências de sexo
são iguais.
Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais
e todos, todos
os poemas em versos livres são enfadonhamente iguais.

Todas as guerras do mundo são iguais.
Todas as fomes são iguais.
Todos os amores, iguais iguais iguais.
Iguais todos os rompimentos.
A morte é igualíssima.
Todas as criações da natureza são iguais.
Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais.
Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou
coisa.

Ninguém é igual a ninguém.
Todo ser humano é um estranho
ímpar.

Cada pessoa representa, de fato, um universo complexo e único. É por isso que as guerras me chocam tanto. 6 milhões é apenas um número, mas quando são 6 milhões de judeus mortos na II Guerra Mundial, ele deixa para trás o seu caráter estritamente matemático. Afinal, são 6 milhões de vidas, sendo que cada unidade dessa representa uma pessoa que, como eu, tem sonhos, medos, desejos e toda uma esfera de pensamentos infinita que apenas o ser humano pode ter.
Com a vivência, porém, uma cifra é apenas uma cifra, seja de judeus, muçulmanos, brasileiros, americanos ou africanos. Nós nos esquecemos do caráter social. Nós nos tornamos insensíveis diante da morte -e da vida.
Porém, não é por seu caráter único e pessoal que uma pessoa se torna verdadeiramente humana -e digo isso não no sentido exato do termo, mas no subjetivo. É, antes de tudo, pelos elementos que compartilha com outros que todos se tornam irmãos. Identificar no próximo algo que está presente em você é reconhecer a importância do outro, é valorizá-lo, é praticar a igualdade. Apenas com essa identificação com as outras pessoas que nós passamos a dar valor a vida delas, pois sabemos que, na mesma medida que nós somos, elas também são. Elas pensam como nós, elas sentem como nós. Nós e elas temos compaixão, temos os mesmos medos e, algumas vezes, os mesmos desejos. Somos fraternos, e assim nos tornamos humanos ao reconhecermos nos outros nós mesmos; ao colocarmos os outros em pé de igualdade conosco.
Que não se pense que, com isso, estou falando que Hitler, Stálin, Bush, Sharon e tantos outros de mesma linha não são humanos. Não, eles são humanos sim, mas no sentido exato, biológico. Quanto ao sentido social, já é uma outra história.
Um trecho do meu diário que acho que tem a ver com o que estou escrevendo ultimamente, apesar de eu já ter escrito coisas similares aqui.
Desculpem os erros de português. Como é um diário e já tem um tempinho que escrevi isso, não mudei nada.
"Igual-desigual", Carlos Drummond de Andrade, em "A paixão medida".

Friday, January 18, 2008

Adab

O homem que é nobre não finge ser nobre, não mais do que o que é eloquente finge eloquência. Quando um homem exagera suas qualidades, é porque alguma coisa lhe falta; o valentão dá-se ares porque sabe de sua fraqueza. O orgulho é feio em todos os homens (...) é pior que a crueldade, que é o pior dos pecados, e a humildade é melhor que a clemência, que é a melhor das boas obras.

'Amr ibn Bahth al-Jahiz, "al-nubl wa'l-tannabul wa dhamm al-kibr".
al-Jahiz é um escritor árabe que viveu entre os séculos VIII e IX.

Thursday, January 17, 2008

Auschvitz

Acho que meu pai tem razão, afinal: se o homem é capaz de fazer isso com sua própria espécie, o que ele não é capaz de fazer com as outras?
Um desses corpos pode ser o de Anne...

Wednesday, January 16, 2008

Anne


Terça-feira, 1o de Agosto de 1944

Querida Kitty,
"Um feixe de contradições", foi como terminei minha carta anterior e é o início desta. Por favor, pode dizer exatamente o que é um feixe de contradições? O que significa contradição? Como tantas palavras, pode ser interpretada de dois modos: uma contradição imposta de fora e uma contradição imposta de dentro. A primeira significa não aceitar as opiniões dos outros, sempre saber mais, ter a última palvra; resumindo, todas aquelas características desagradáveis pelas quais sou conhecida. A segunda, pela qual não sou conhecida, é meu segredo.
Como já disse muitas vezes, sou partida em duas. Um lado contém minha exuberância, minha petulância, minha alegria na vida e, acima de tudo, minha capacidade de apreciar o lada mais leve das coisas. Com isso quero dizer que não acho nada errado nos flertes, num beijo, num abraço, numa piada pesada. Este meu lado costuma ficar à espreita para emboscar o outro, que é mais puro, mais profundo e melhor. Ninguém conhece o lado melhor de Anne, e é por isso que muita gente não me suporta. Ah, eu posso ser um palhaço divertido durante uma tarde, mas depois disso todo mundo se enche de mim durante um mês. Na verdade sou aquilo que um filme romântico representa para um pensador profundo -uma simples diversão, um interlúdio cômico, algo a ser esquecido: que não é ruim, mas que também não é particularmente bom. Odeio ter de dizer isso, mas por que eu não deveria admitir, já que conheço a verdade? Meu lado mais leve, mais superficial, vai sempre tirar vantagem do lado mais profundo, e com isso vencerá sempre. Você não pode imaginar quantas vezes tentei empurrar para longe essa Anne, que é somente a metade do que se conhece como Anne -derrubá-la, escondê-la. Mas isso não funciona, e sei por quê.
Tenho medo de que as pessoas que me conhecem descubram que tenho outro lado, um lado melhor e mais bonito. tenho medo de que zombem de mim, de que pensem que sou ridícula e sentimental, e que não me levem a sério. Estou acostumada a não ser levada a sério, mas somente a Anne leviana consegue lidar com isso; a Anne mais profunda é fraca demais. Se eu forçar a Anne boa ao palco por pelo menos quinze minutos, ela se fecha como um marisco no momento em que é chamada a falar, e deixa a Anne número um dizer o texto. Antes que eu perceba, ela desapareceu.
Assim, a Anne boa nunca é vista acompanhada. Ela nunca aparece, ainda que quase sempre assuma o palco quando estou sozinha. Sei exatamente como gostaria de ser, como sou... por dentro. Mas infelizmente só sou assim comigo mesma. E talvez seja por isso -não, tenho certeza de que este é o motivo -que penso em mim como uma pessoa feliz por dentro, e os outros pensam que sou feliz por fora. Sou guiada pela Anne pura, de dentro, mas por fora sou apenas uma cabrita fazendo cabriolas, forçando a corda à qual está amarrada.
Como já disse, o que falo não é o que sinto, e por isso tenho reputação de assanhada e namoradeira, de sabichona e leitora de romances de amor. A Anne jovial gargalha, dá uma resposta ferina, encolhe os ombros e finge que nem liga. A Anne quieta reage de modo oposto. Se estou sendo completamente honesta, tenho de admitir que isso me importa, que tento arduamente mudar, mas me vejo sempre diante de um inimigo mais poderoso.
Um voz dentro de mim soluça: "Veja só, foi isso que você virou. Está rodeada por opinições negativas, olhares desanimados e rostos zombeteiros, pessoas que não gostam de você, e tudo porque não escuta o conselho de sua metade melhor. Acredite, eu gostaria de escutar, mas não dá certo, porque se eu ficar quieta eséria, todo mundo acha que estou representando outra papel e tenho de me salvar com uma piada, e nem estou falando de minha própria família, que presume que devo estar doente, me enche de aspirina e sedativos, sente meu pescoço e minha testa para ver se estou com febre, pergunta sobre os movimentos intestinais e me critica por estar mal-humorada, até que eu não aguento mais, porque quando todo mundo começa a me chatear, fico irritada, e depois triste, a parte má do lado de fora e a boa do lado de dentro, e tento achar um modo de me transformar no que gostaria de ser e no que poderia ser se... se não houvesse mais ninguém no mundo.
Sua Anne M. Frank

Este é o último escrito do diário de Anne Frank e, particularmente, uma das cartas que mais gosto.
Anne, sua família e outras mais foram delatadas e levadas de seu esconderijo no dia 4 de Agosto de 1944.
Anne morreu em Auschwitz poucos meses antes de o campo ser libertado por tropas inglesas.

Tuesday, January 15, 2008

Modernidade


Confronto entre cristãos e muçulmanos na Batalha de Mancoura, Idade Média.

Monday, January 14, 2008

Desabafo

É engraçado que, em todos os lugares que eu vou, as pessoas, ao saberem que sou vegetariana, tentam logo arranjar argumentos para que eu não o seja mais. É como se, ao não comer carne, eu estivesse agredindo alguém, e assim todos tentam rapidamente encontrar falhas nas minhas teorias -e na prática.
De fato, parece que todas as pessoas pensam igual. Quer dizer, você pode até supor que encontrará argumentos diversificados e convincentes, mas são sempre os mesmos! Geralmente relacionandos ao fato de que as plantas também são seres vivos e de que comer carne faz parte da cadeia alimentar, é algo natural. Ótimo. Então eu sou uma anormal idiota e sentimental só porque sou vegetariana. Pelo menos é isso o que as pessoas parecem pensar.
Aliás, quem pediu opinião sobre a minha dieta? Quer dizer, eu não saio por aí falando para todo mundo que come carne que eles são uns assassinos sem coração -já que isso não é verdade. Tá, talvez eu comente uma coisa ou outra com meus amigos, mas eu não tento convencê-los a serem vegetarianos. Então por que as pessoas insistem a tentar me convercer de que o que eu estou comendo -ou não -é errado?
Sabe, eu já ouvi coisas absurdas. Absurdas mesmo. Já me falaram que é meu dever comer carne porque as vacas colaboram com o efeito estufa. E quem me falou isso foi um médico. Cirurgião. Também que, já que os animais já estão mortos mesmo, por que eu não os como logo? Ou que a gente não consegue viver sem carne. Certo, e eu estou viva como??! E bem mais saudável do que muita gente aí!
Além do mais, e se eu quiser ser uma idiota sentimental mesmo? E aí? O que essas pessoas tem a ver com isso? Quer dizer, não vivem me dizendo que eu sou tão inteligente? Então respeitem o meu raciocínio e a minha decisão, mesmo que eu não o seja! Quem não está comendo carne sou eu e pelos meus motivos -que, ironicamente, né, são importantes para mim -, então simplesmente parem de achar isso engraçado e de achar bonitinho também. Para mim, ser vegetariana é uma coisa bem séria, mesmo que traga poucas consequências para os seres que eu realmente estou me importando aqui, os animais.
É por que irrita, sabe? Cada dia é uma pessoa diferente...


Ótimo. Vão cuidar de seus cachorrinhos que, para mim, já está tudo bem. Cansei de tentar explicar o porquê de eu estar evitando a morte de alguns seres, mesmo que poucos.

Sunday, January 13, 2008

O pretexto


A pretexto de combater o terrorismo, George W. Bush, “o renascido em Cristo” tornou-se o pior terrorista da história.
A pretexto de combater o talibã, transformou o Afeganistão no maior produtor de heroína do planeta.
A pretexto de combater o narcotráfico, transformou a Colômbia no maior produtor e exportador de cocaína do mundo.
A pretexto de localizar armas de destruição em massa no Iraque, destruiu a Babilônia.
A pretexto de localizar armas de destruição em massa no Iraque, destruiu a Suméria.
A pretexto de localizar armas de destruição em massa no Iraque, destruiu a Mesopotâmia.
A pretexto de localizar armas de destruição em massa no Iraque, destruiu Ur, a cidade do Patriarca Abraão.
Não satisfeito em destruir mais de 45 mil sítios históricos - patrimônios da humanidade - saquear museus e bibliotecas, suas tropas assassinaram mais de 800 mil iraquianos, transformaram mais de quatro milhões em refugiados e converteram o país num imenso calabouço.
A pretexto de irradiar a democracia como a entende, o “renascido em Cristo”, acabou com o regime secular do Iraque.
De acordo com um relatório oficial do Gabinete do Orçamento do Congresso dos Estados Unidos, o custo total das invasões do Iraque e do Afeganistão poderá atingir dois trilhões e 400 bilhões de dólares até 2017.A pretexto de “defender o mundo livre” suas tropas estão estacionadas em mais de uma centena de países.
Ao contrário do rei Midas, que transformava em ouro tudo o que tocava, “o renascido em Cristo” transforma em sangue tudo que toca.
E os muçulmanos é que são terroristas...

Georges Bourdoukan, Caros Amigos, dezembro de 2007

Friday, January 11, 2008

A hora

Momentos ruins sempre existem. Às vezes, eles acorrem tão próximos uns dos outros que nos deixam meio anestesiados; não sentimos nada a não ser uma leve sensação de estarmos vivos. O que a vivência não faz, não é? Mas sempre tem aquela hora em que tudo desmorona, então você se vê no meio da situação que sempre evitou, e é forçado a tomar uma decisão. Ou reagir. E você não sabe como reagir.
Não sabe de que lado ficar quando cada lado representa uma das duas pessoas que você mais ama nesse mundo. É impossível decidir, até mesmo quando você sabe que caminho deve escolher. Se não sabe, sempre existe o caminho da imparcialidade. Esse dura pouco se você tiver uma personalidade forte como a minha. E não tem jeito: escolha um lado. Todos exigem que você se posicione, pois, no mundo verdadeiro, não existe imparcialidade. De fato, não existe, mas nós podemos omitir nossa opinião pelo bem dos envolvidos -e pelo seu próprio bem. Talvez esse seja o melhor caminho, mas, como já foi dito, há um momento em que tudo desmorona. E você anseia por dizer o que realmente pensa, mesmo que tenha medo da reação das suas palavras. Você vai machucar pessoas com certeza, e talvez você acabe escolhendo o caminho mais doloroso por ser esse o mais justo. Mas sempre é bom amenizar um pouco a situação antes de agir. Pelo menos tentar diminuir os danos, que serão muitos e, talvez, irreversíveis. Você tem que tentar, simplesmente tem. E é isso que eu vou fazer.
Apenas para haver uma prova escrita de que eu pensei muito antes de fazer o que vou fazer. Se eu tive influências, não sei, a grande maioria dos alienados não sabe que está fazendo algo não porque quer, mas sim por causa da imposição que sofreu. Acho, porém, que as pessoas que me conhecem sabem que eu posso ser bem teimosa e que eu sempre tento analisar ao máximo o que vejo e ouço antes de condordar. De qualquer jeito, é bom ter um prova quando o que você vê à sua volta é desconfiança e falsidade.

"A corrupção de toda a sociedade israelense..."

  • Nós, oficiais e soldados de reserva das Forças de defesa de Israel, que crescemos com base nos princípios do sionismo, sacrifício e devoção ao povo de Israel e ao Estado de Israel, que sempre servimos na linha de frente, os primeiros a cumprir qualquer missão, perigosa ou não, com o objetivo de proteger e fortalecer o Estado de Israel,
  • Nós, oficiais e soldados combatentes que servimos ao Estado de Israel durante longas semanas, todos os anos, apesar dos altos custos que isso implicou para nossas vidas privadas, cumprimos tarefas nos Territórios Ocupados, e recebemos ordens e comandos que nada tinham a ver com a segurança de nosso país, mas o propósito único de perpetuar nosso controle sobre o povo palestino,
  • Nós, que vimos o preço em sangue que a ocupação cobra aos dois lados,
  • Nós, que sentimos como as ordens expedidas para nós nos territórios destroem os valores que absorvemos enquanto nos tornávamos adultos neste país,
  • Nós, que entendemos que o preço da ocupação é a perda do caráter humano das FDI (Forças armadas de Israel) e a corrupção de toda a sociedade israelense,
  • Nós, que sabemos que os territórios não são de Israel e que todos os assentamentos devem ser desmantelados,
  • Nós aqui declaramos que não vamos prosseguir lutando nessa Guerra dos Assentamentos,
  • Nós não continuaremos lutando além das fronteiras de 1967, com o objetivo de dominar, expulsar, humilhar e causar a fome de todo um povo,
  • Nós aqui declaramos que continuaremos a servir as FDI em qualquer missão que tenha como objetivo defender Israel.
  • As missões de ocupar e oprimir não servem a esse propósito - e por isso não faremos parte delas.

Manifesto de oficiais israelenses, 2002.

Mulher em assentamento palestino.

Thursday, January 03, 2008

O ser mulher

Ninguém pode negar as conquistas da mulher nas últimas décadas. De dona de casa, passou à profissional de carteira assinada, conseguiu o direito de votar e ainda liberdade na escolha sexual. Todas essas conquistas, porém, são relativas, e a mulher segue lutando e andando em um perigoso caminho: o da negação dela mesma e da sua feminilidade.
A luta pela igualdade entre os sexos é antiga, mas suas vitórias são recentes. Por ser um problema estruural, porém, é uma questão que leva tempo e que deve ser conduzida com cuidado. Sendo a sociedade patriarcal e machista, a luta feminista ainda acaba sofrendo influências de mesmo caráter, levando a vitórias, portanto, que apenas mascaram a manutenção das condições de vida. Seguindo esse caminho, a mulher passou por duas transformações das mais perigosas, que precisam ser reconstruídas.
A primeira está na igualdade propriamente dita. Forçada a tomar decisões para se igualar ao homem devido à necessidade de concorrer com este imposta pela sociedade capitalista, a mulher acabou deixando de lado aspectos característicos de seu sexo. Passou por um processo de "masculinização", por assim dizer, vestindo-se e até mesmo se comportando como o homem. A questão de gênero, portanto, passou a ser didática na medida em que a mulher conseguiu essa falsa igualdade.
A segunda transformação é mais complicada, pois, na verdade, refere-se a um fenômeno que acompanha a mulher desde a antiguidade. É a tentativa de se diferenciar do sexo oposto através da feminilidade. A mulher acaba, mesmo que inconscientemente, tornando-se o estereótipo feminino imposto pela sociedade consumista e machista. Ela começa a relacionar feminilidade com maquiagem, vestidos e sapatos altos, sem saber que ser mulher é algo mais profundo e inerente do que esses acessórios.
Mesmo tendo tomado os apectos já citados, a luta feminista não apenas pode, mas deve continuar. A desconstrução dos valores alienantes e sua posterior reconstrução deve passar pela análise de cada um sob um ponto de vista crítico. A questão está em saber ser mulher sem ter que negar-se.
A mulher pode, de fato, representar uma concorrência acirrada ao homem através do estudo e da emancipação, e não se masculinizando. Manter-se mulher, entretanto, não significa assumir o cor-de-rosa e o salto agulha; ser mulher é ser inteligente com emoção, é ser a mãe que também briga, é ser a luta dos oprimidos, é ser bela sem ser objeto sexual, é ser vaidosa sem ser alienada. Ser mulher é isso.

Wednesday, January 02, 2008

Arabian Moon

Arabian nights
Like Arabian days
More often than hot
Are hotter than hot
In a lot of good ways





"Arabian nights", Aladdin Soundtrack

Dia Primeiro

"Então, o que você deseja no ano novo?"
"Você sabe que eu não acredito nisso."
"Todo mundo acredita, até gente doida que nem você."
"Mas é que a mudança do ano não vai mudar minha vida, nem a de ninguém!"
"Mas imagine só!"
"Por que imaginar se isso não vai acontecer só por causa da passagem de um dia?"
"Puta que pariu! Fala logo, Clara!"
"Tá, tá... Eu quero que o sofrimento acabe no mundo."
"Aff, mas aí você já quer muito..."

"Sério, vai ser muita injustiça se eu passar na USP."
"Ai meu Deus? O que foi agora?"
"É que eu não estudei nada! E tem tanta gente que fica aí, se matando de estudar... Então eu não posso simplesmente passar."
"Caralho, mas até nisso você é certinha, é? Então por que você não vai e processa logo a USP por permitir que você sabe? Aí você dá sua vaga pra outra pessoa e fica feliz para sempre!"

"Você tentou para jornalismo mesmo, foi?"
"Claro que sim! E você sabe disso..."
"É, mas é que... Ah, não! Isso sim é injustiça! Pessoas como você não podem fazer jornalismo! É, tipo... Desperdício de inteligência!"
"QUÊ?"
"Não é não? Se eu fosse você, eu teria feito algum engenharia, tipo mecatrônica, sei lá, ou medicina... Alguma coisa com conteúdo e que você pudesse descobrir alguma coisa. A cura do câncer, quem sabe..."
"O_O"

"Qual é o governador de São Paulo?"
"Não sei."
"Como assim você não sabe?! Minha filha, você é uma gênia, você tem que saber de tudo! Imagina se uma pessoa entra aqui e ouve isso?? Sua reputação vai ter acabado!"

Cara, vai ser a decepção da vida da minha mãe se eu não passar na USP. Na verdade, é capaz de ela culpar a universidade e a prova se isso acontecer. E ela deveria ir no Sartre COC sede Graça, em Salvador. Aí ela iria ver os verdadeiros gênios, e no sentido negativo da palavra -se é que tem algum positivo.
Ah, outra coisa! Nunca comprem um certo espumante chamado "Pulmman".

Tuesday, December 25, 2007

Então é Natal!

A hipocrisia das pessoas me assusta. Não que eu também não seja hipócrita; longe disso, acho que sou a mais alienada de todos, já que sei, mas continuo fazendo e não tento mudar a situação.
Estou falando do Natal, claro. Sobre o que mais é permitido falar no dia 25 de dezembro? Natal apenas. Suposto nascimento de Jesus Cristo, mas acho que até o valor simbólico disso já se perdeu. Agora é uma data comercial assim como o dia das mães e dos pais e dos namorados...
Não que eu seja religiosa e considere isso uma heresia. Admiro o Jesus-homem, um pensador fantástico e extremamente avançado para seu tempo, pregando a igualdade e a fraternidade. O primeiro socialista, por assim dizer! Mas o Jesus-deus... Bem, acho que a atribuição do divino a Jesus lhe tira parte considerável de sua grandeza. Quando falamos que ele é divino, é como se justificássemos seus atos; quando falamos que ele é homem, estamos demonstrando que ele era como nós e que, consequentemente, qualquer um de nós poderia ser como ele.
A questão, porém, não é de crer ou não em Deus ou em Jesus divino, a questão é de princípios. Princípios religiosos, se você preferir. As pessoas passam uma semana ou mais se preparando para o Natal, compram enfeites, decoram a casa, preparam uma ceia gigantesca, sem falar dos presentes. No dia 24 de dezembro, colocam para tocar um cd de músicas natalinas, todos se arrumam para a noite de gala, passam perfume, tiram fotos... Até a hora da prece. Sim, tem a prece. E sabe o que elas pedem? Um feliz natal para todos! Agradecem a Deus/Dinheiro pelo banquete que Ele lhes proporcionou, pela maravilhosa ocasião de estar a família reunida... Contam histórias sobre o nascimento de Jesus, sobre sua vida e seus atos. Falam de sua bondade para com todos!
Mas o pior de tudo é que elas pedem pelo mundo, pedem pelos outros, pedem a Deus para cuidar das outras pessoas! Falam da pobreza no mundo e continuam comprando as coisas mais caras e inúteis apenas porque é aniversário de Jesus Cristo! Mas como falar em Jesus em tais condições? Como falar dele e de suas pregações humanitárias assim? Eu nem sou religiosa e nunca li a bíblia inteira, mas até eu sei que isso vai contra os ensinamentos dele! Não foi Jesus que foi até um mercado e destruíu tudo por causa da fartura e de outros princípios "burgueses" em plena casa de seu pai? Para mim, o mesmo aconteceria se ele visse a mesma fartura e os mesmos princípios na comemoração de seu aniversário, uma data religiosa.
E, aliás, quantas pessoas estão passando fome naquele exato momento? Estão com frio debaixo de uma ponte, estão morrendo em campos de refugiados ou estão roubando para conseguir sobreviver? E no mesmo momento em que essa família está alí, reunida na fartura, na hipocrisia e nessa fé estúpida de que Deus vai resolver todos os problemas do mundo para tirar o peso da culpa de suas mentes...