Saturday, September 29, 2007

Wednesday, September 26, 2007

Análise histórica

Segundo o dicionário Houiass da Língua Portuguesa, "selvagem" é aquele "que habita as selvas, que" vive longe da civilização, ou "que manifesta crueldade, furor". Diante desses conceitos, quem são os verdadeiros selvagens da História do Brasil, os índios ou os europeus?
Em pleno processo de expansionismo territorial, foi papel da cultura européia do século XV preencher as lacunas ideológicas que faltavam para justificar as invasões em novas terras. Nesse contexto, o termo "selvagem" adquiriu o seu significado primário, que posicionava os moradores de localidades desconhecidas como não civilizados e que precisavam da intervenção européia. Estes geralmente moravam na selva, formando o estereótipo do selvagem indígena.
Na medida em que os portugueses pisaram em futura terra brasileira, como possuiam os conceitos da atual cultura ocidental, os selvagens eram, de fato, os indígenas, que habitavam cabanas de palha e eram nômades. Afinal, foram os europeus que trouxeram a modernidade e o resultado de muitos séculos de pesquisas científicas para a terra, transformando-a em país, Brasil.
Os portugueses, porém, também trouxeram doenças e degradação aos índios e à terra. Mataram milhões, devastaram, estupraram, roubaram e destruíram uma cultura milenas e tão evoluída como a deles, já que há culturas diferentes, mas de igual valor. Assim, o termo "selvagem" adquiriu sei sentido pejorativo, e o que foi criado para os índios, ditos "básbaros" e irracionais, passou a designar os portugueses.
Levando em consideração as duas definições do termo "selvagem" na História moderna e crítica, entretanto, apenas uma é válida. Isso porque, quando se refere as índios, essa palavra traz a idéia de que estes vivem longe da civilização enquanto que eles próprios formam uma civilização. Afinal, têm culturas próprias, bem como idiomas e modo de produção. Enquanto que, no passado, era válido, o índio selvagem, nesse sentido, já não o é mais.
Assim, fazendo uma análise histórica, humanista e gramatical, os verdadeiros selvagens da História brasileira são os portugueses, que deturparam o futuro dos índios dessa terra chamada Brasil, e cujos traços de violência perduram até hoje.

Sunday, September 23, 2007

Cidade nossa de cada dia

"E se ao menos essa ilusão da Cidade tornasse feliz a totalidade dos seres que a mantêm... Mas não! Só uma estreita e reluzente casta goza na Cidade os gozos especiais que ela cria. O resto, a escura, imensa plebe, só nela sofre, e com sentimentos especiais que só nela existem! (...) Ai jaz, espalhada pela cidade, como esterco vil que fecunda a cidade. Os séculos rolam; e sempre imutáveis farrapos lhe cobrem o corpo, e sempre debaixo deles, através do longo dia, os homens labutaram e as mulheres chorarão. E com este labor e este pranto dos pobres, meu Príncipe, se edifica a abundância da Cidade! Ei-la agora coberta de moradas em que eles se não abrigam; armazenada de estofos, com que eles se não agasalham; abarrotada de alimentos, com que eles se não saciam! Para eles só a neve, quando a neve cai, e entorpece e sepulta criancinhas aninhadas pelos bancos das praças ou sob os arcos das pontes de Paris... A neve cai, muda e branca na treva; as criancinhas gelam em seus trapos; e a polícia, em torno, ronda atenta para que não seja pertubado o tépido sono daqueles que amam a neve, para patinar nos Bosques de Bolonha com peliças de trés mil francos. Mas quê, meu Jacinto! A tua Civilização reclama insaciavelmente regalos e pompas , que só obterá, nessa amarga desarmonia social, se o capital der ao trabalho, por cada arquejante esforço, uma migalha ratinhada. Irremediável é, pois, que incessantemente a plebe sirva, a plebe pene! A sua enfaldada miséria é a condição do esplender sereno da Cidade."


"A Cidade e as Serras", Eça de Queirós.

Saturday, September 22, 2007

A hipocrisia nossa

Homem matando homem. Torturando. Assassinando. Ou esquecendo. Afinal, todos têm a mesma consequência, não é? A morte, a miséria, a fome, a dor... Mas quantas vidas ainda terão que ser ceifadas para que o homem note que o mundo precisa de ajuda? Que os outros homens precisam de ajuda?
Isso é quase irônico de minha parte. Quase não: é irônico. Pois quem mata e tortura não se importa se a vítima está sofrendo. Na verdade, acho que o objetivo é justamente esse, o de que aquela pessoa sofra mesmo, desapareça e pare de aparecer nos jornais e revista para nos lembrar de que não estamos sozinhos... Para nos lembrar de que estamos bem, mas elas não. Ninguém quer sofrer, não é verdade? Então é até melhor que elas morram mesmo para parar de nos encher de remorso de estarmos levando a vida tão confortavelmente....
Outra ironia minha. Quem mata, não sente remorso -ou pelo menos não deveria sentir. Mas, sabe, é até legal que a gente mostre que se importa com o mundo. Está na moda, não é? Faz você parecer uma pessoa menos... vazia. Faz um discurso emocionante em um jantar com uns amigos, até simula uma lágrima ou duas. Depois, todos lhe olham admirados: "Ela se importa", pensam. Ela se importa.
Mas não se importe: esqueça mesmo. Esqueça, quem se importa se tem gente morrendo por aí? Não é sua mãe! Nem nenhum parente seu. É só um homem ou uma mulher qualquer... Talvez uma criança, criança essa que já tinha sua vida demarcada mesmo antes do seu nascimento: ela nasceu sem destino, nasceu para sofrer. Talvez tenha nascido para lhe deixar um pouco triste por uma hora ou duas, depois que você viu o corpo dela estirado em alguma rua no noticiário...
Nossa, eu estou extremamente ingênua hoje. Você não vai ficar triste, não é verdade? É claro que não! Afinal, quantas pessoas já morreram hoje que você ouviu falar? As cifras já ficaram tão comuns que as pessoas nem se importam mais: mil alí no Oriente Médio, mais umas 400 na Chechênia, talvez umas dez mil na África... É normal, as pessoas teriam que morrer algum dia mesmo, certo? E não há nada que você possa fazer para evitar isso... Afinal, quem é que vai parar para pensar que, por trás de cada número, há uma infinidade de vidas? Que cada unidade dos milhares de mortos representam uma pessoa, com toda a sua complexidade? Que aquela pessoa tinha sonhos -talvez de ser jornalista, médico, professor -, tinhas hobbies e a mesma capacidade de pensar e sentir que você? Que era a mãe de alguém, a irmã, o pai, o marido... Quem se importa?
A questão é: como elas morreram? De que doença, com qual arma? De fome, talvez? Agora, porque uma pessoa morreria de fome em uma planeta tão farto? É, isso mesmo, eu disse farto, e acho que já está na hora de você parar de se enganar ao pensar que, como os recursos naturais estão se esgotando, não tem mais comida e água para essas pessoas. Tem sim, e muita, o problema é que elas não são importantes nem politica, nem economicamente para aqueles que tem o poder de lhes fornecer água e comida. Ou casa, se você for analisar melhor. Casa, remédio, escola, lazer... Tudo o que uma pessoa normal, como você e eu, tem. O problema é que elas são inválidas no grandioso trabalho de obtenção de riqueza.
Mas sim! Talvez você já tenha tido sua cota de se preocupar com o mundo hoje. Ou talvez você nem tenha se precocupado, não é? Talvez você seja o assassino, o torturador, ou até o, digamos "esquecedor", e você não pode, não se esqueça, sentir remorsos. Eles que sofram bem longe de nós. Bem longe e, de preferência, silenciosamente.

Não é preciso muito para ajudar, lembre-se disso.
Apenas um pouco de humanidade.

Sunday, September 02, 2007

Animais de Produção

Bilhões de animais de produção são criados atualmente em fazendas industriais. Presos em gaiolas apertadas e super-lotadas, os animais são forçados a crescer num ritmo extremamente rápido, para garantir aos fazendeiros lucro crescente e incessante na produção de ovos, carne e leite. A WSPA trabalha para acabar com o sofrimento desses animais.
A campanha Bem-Estar dos Animais de Produção da WSPA foi desenvolvido para garantir melhores condições de vida aos animais de fazenda em todo o mundo. Principalmente na Ásia e na América do Sul - áreas de grande crescimento da agricultura industrial.
Gaiolas de Poedeiras
Quase todas as 5,6 bilhões de galinhas poedeiras do mundo estão presas dentro de pequenas gaiolas. Sem espaço sequer para baterem as asas estas galinhas não conseguem produzir ninhos e seus ossos ficam tão fracos que podem quebrar por qualquer movimento mais brusco.
Porcas Gestantes
As porcas gestantes são presas em “gaiolas-maternidade”. Esse sistema mantém as porcas em espaços tão apertados que elas não conseguem se exercitar e nem mesmo se virar durante a gestação que dura 16 semanas. Quando estão prontas para o parto, são levadas às celas-parideiras, igualmente restritivas.
Frangos
Milhares de frangos para abate são entulhados nos galpões das fazendas industriais. Eles não são engaiolados, mas a concentração de pássaros é tão alta que cobre todo o espaço dos galpões. Além disso, o crescimento controlado por hormônios é tão acelerado que seus ossos, cérebro, coração e pulmão não conseguem acompanhar o metabolismo do corpo. Antes de serem abatidos (o que ocorre entre a sexta e a sétima semana de vida), esses pássaros são submetidos a ferimentos dolorosos e debilitantes. Vários morrem por parada cardíaca. Atualmente, mais de 20 bilhões de frangos para abate são criados em todo o mundo.
Agropecuária: estilo industrial
Na Ásia e na América é comum criar gado para abate em grandes propriedades - criação extensiva. Muitas cabeças de gado saturam um reduzido espaço, criando grande risco de doenças pela grande quantidade de dejetos que podem poluir o campo.
Na América do Norte e em partes da Ásia as vacas leiteiras nunca pastam. Elas são mantidas em sistemas de “pastagem-zero”, em que a ração é trazida aos animais. O sistema metabólico do animal não consegue acompanhar a superprodução de seus úberes. O esforço excessivo do animal resulta em problemas podológicos e articulatórios, úberes com infecções dolorosas e doenças metabólicas.
Peixe
A produção industrial também chegou à piscicultura. Milhares de peixes podem ser apertados dentro de uma jaula marítima ou lagoa, causando estresse e deixando-os mais suscetíveis a doenças. O abate geralmente não é humanitário.
Engenharia Genética
Por meio de alterações genéticas, os animais crescem de forma acelerada, ficam maiores, menos gordurosos e produzem mais leite. Geram lucro a despeito das consequências negativas que o uso de hormônio traz a saúde destes animais e à saúde humana.
Não só animais são afetados
A segurança alimentar é posta em xeque quando os animais são mantidos em sistemas intensivos de produção. A superlotação nas fazendas industriais cria o ambiente ideal para a propagação de doenças. Para tratar e conter essas doenças, os criadores lançam mão de uma diversa combinação de medicamentos.
A agricultura industrial também vem causando danos ao meio-ambiente, com o grande uso de fertilizantes químicos e pesticidas, tornando o solo infértil e ameaçando a fauna silvestre local.




Bem-Estar Animal

A Sociedade Mundial de Proteção Animal- WSPA lançou em junho de 2006 um importante documento para estabelecer critérios uniformes para a proteção dos animais em todo o mundo. Trata-se da Declaração Universal de Bem-Estar Animal. O documento integra a campanha da WSPA “Para mim os animais importam” e estabelece diretrizes básicas de bem-estar, reconhecendo os animais como seres senscientes, e sua proteção como importante meta para o pleno desenvolvimento social das nações de todo o mundo.
O objetivo é recolher 10 milhões de assinaturas pelo mundo e encaminhar o documento à ONU. Com isso, a WSPA pretende garantir métodos efetivos para livrar dos maus-tratos bilhões de animais em todo o mundo, criando normas e padrões a serem seguidos por todos os países- membros da ONU.
Durante o lançamento oficial do documento - que ocorreu no simpósio de afiliadas da WSPA, em Londres -, Noah Wekesa, ministro da Educação, Ciência e Tecnologia do Quênia disse que, apesar das diferenças sociais, econômicas, religiosas e culturais, é dever de cada sociedade cuidar e tratar dos animais de forma humana e sustentável.
Nesse sentido, a Declaração estabelece o direito à vida, destacando a presença humana como parte de um ecossistema que deve ser reconhecido e respeitado para que haja harmonia e equilíbrio entre as sociedades. Algumas das emendas propostas estabelecem que o bem-estar dos animais inclui zelar pela saúde deles, que os veterinários possuem um papel essencial na manutenção da saúde e do bem-estar desses animais; que os humanos partilham o planeta com outras espécies e formas de vida, co-existindo num ecossistema interdependente; e que é de extrema importância o trabalho contínuo da Organização Mundial para a Saúde Animal na criação de normas globais que assegurem o bem-estar animal.
site pra assinar o abaixo assinado: http://www.animalsmatter.org/
Atualmente, já são 500 mil assinaturas :)

Friday, August 31, 2007

Frida


"As duas Fridas", Frida Kahlo

Wednesday, August 29, 2007

Give me some truth

I'm sick and tired of hearing things from uptight, short-sighted, narrow-minded hypocritics. All I want is the truth, just gimme some truth. I've had enough of reading things by neurotic, psychotic, pig-headed politicians. All I want is the truth, just gimme some truth. No short-haired, yellow-bellied, son of tricky dicky is gonna mother hubbard soft soap me with just a pocketful of hope. Money for dope; money for rope.
I'm sick to death of seeing things from tight-lipped, condescending, mama's little chauvinists. All I want is the truth, just gimme some truth now. I've had enough of watching scenes of schizophrenic, ego-centric, paranoiac, prima-donnas. All I want is the truth now, just gimme some truth. No short-haired, yellow-bellied, son of tricky dicky is gonna mother hubbard soft soap me with just a pocketful of soap. It's money for dope; money for rope.


"Give me some truth", John Lennon

Sunday, August 26, 2007

Vocação

O jornalismo, ser repórter, é como uma missão de vida para você?
Penso que o jornalismo deve ser uma vocação, não apenas um emprego como trabalhar em um banco ou servir café. Se o seu objetivo é apenas ganhar dinheiro, pagar as contas, comprar casas e mandar as crianças para a escola, então você não fará o seu trabalho de maneira correta. O medo de ficar desempregado estará sempre à sua volta. Para fazer um bom trabalho é preciso dizer: "Isto é mais importante do que ganhar dinheiro". Um milhão de pessoas estão lendo o que você escreve - tomara!... Você é responsável por fazer a coisa certa, por transmitir a realidade do que está acontecendo, mesmo que as pessoas não gostem de você e do seu trabalho. Essa não é uma relação mercadológica.
O que você acha sobre a afirmação de que para ser um bom jornalista é necessário ser parcial, assumir uma posição?
Eu não acho que você precisa assumir uma posição. Acho que o jornalista tem que simpatizar com as pessoas oprimidas, com os que estão sofrendo e com as vítimas das injustiças. As pessoas dizem: "Você tem que ser objetivo". Não tem! Se você estivesse noticiando o tráfico de escravos no século 18, não daria espaço igual ao capitão do navio negreiro; se estivesse presente na liberação dos prisioneiros de um campo de concentração nazista, não daria espaço igual aos representante da SS, você entrevistaria os judeus sobreviventes que quase morreram lá. (...) O Oriente Médio não é um campo de futebol, é uma tragédia humana em massa e acho que os jornalistas deveriam enfatizar e mostrar o sentimento deles pelas pessoas que são as vítimas, incluindo os israelenses.
Robert Fisk, correspondente de guerra no Oriente Médio para o Independent
Entrevistado para a revista Caros Amigos, agosto de 2007.

Saturday, August 18, 2007

Qual é o limite?

Assaltos, estupros, massacres, genocídios. Assim caminha a humanidade.
Haverá limite?
Estaremos todos anestesiados?
A morte pela violência já não sensibiliza...
Centenas de milhares de vidas ceifadas!
Um fato corriqueiro. Um número.
São os estertores de um sistema putrefato.
Iraque, Afeganistão, Palestina...
É o ocaso de um sistema podre que não oferece mais nada.
África dizimada pela fome e pela doença. Olhe-se no espelho...
É o crepúsculo de um sistema que não aceita caminhar sozinho para o ralo.
O aluno que dispara contra os colegas.
O recado está dado!
É o salve-se-quem-puder.
Mas eis que ele surge alvo e radioso, para nos honrar com sua presença.
A ele, satificado seja, as iguarias que poderiam saciar a quem tem fome, a quem tem sede.
A ele, leitos de seda.
Confortar a quem? A ele primeiro.
Ele é único?
Olhem para Meca e abençoem Somália.
Mirem Israel e guardem suas gravatas.
É isso que nos reserva a religião?
Alguém já escreveu isso antes e eu repito.
O capitalismo matou os anjos! Agora são os demônios que falam em nome de Deus!

"Qual é o limite?", Georges Bourdoukan
"Caros Amigos", maio de 2007

Sunday, August 12, 2007

Me And Bobby McGee

Busted flat in Baton Rouge
Waitin' for a train
When I's feelin' near as faded as my jeans
Bobby thumbed a diesel down
Just before it rained
He rode us all the way to New Orleans
I pulled my harpoon
Out of my dirty red bandana
I was playin' soft while Bobby sang blues
Windshield wipers slappin' time
I was holdin' Bobby's hand in mine
We sang every song that driver knew
Freedom's just another word for nothin' left to lose
Nothin', I mean nothin' hon' if it ain't free
Yeah, feelin' good was easy Lord, when he sang the blues
Yeah, feelin' good was good enough for me
Good enough for me and my Bobby Mcgee
From the Kentucky coal mines
To the California sun
Yeah, Bobby shared the secrets of my soul
Through all kinds of weather
Through everything that we done
Hey, Bobby baby kept me from the cold
One day up near Salinas, Lord
I let him slip away
He's lookin' for that home, and I hope he finds it
Well, I'd trade all o' my tomorrows
For one single yesterday
To be holdin' Bobby's body next to mine
Freedom's just another word for nothin' left to lose
Nothin', an' that's all that Bobby left me, la da
Oh, feelin' good was easy, Lord, when he sang the blues
Yeah, feelin' good was good enough for me, oo oo
Good enough for me and my Bobby Mcgee
Lord, I called him my lover
I called him my man
I said I called him my lover did the best I can, c'mon
Hey, hey, hey Bobby McGee, yeah

"Me and Bobby McGee", Janis Joplin

Wednesday, July 25, 2007

A razão


Death is but crossing the world, as friends do the seas; they live in one another still. For they must needs be present, that love and live in that which is omnipresent. In this divine glass, they see face to face; and their converse is free, as well as pure. This is the comfort of friends. that though they may be said to die, yet their friendship and society are, in the best sense, ever present, because immortal.

"More fruits of Solitude", William Penn

I love you now; I love you always.

Sunday, July 22, 2007

E o carlismo, morreu também?

ACM morreu.












eu realmente preciso fazer mais algum comentário?

;p

Tuesday, July 17, 2007

Racismo é burrice.

Salve, meus irmãos africanos e lusitanos, do outro lado do oceano. "O Atlântico é pequeno pra nos separar, porque o sangue é mais forte que a água do mar".
Racismo, preconceito e discriminação em geral; é uma burrice coletiva sem explicação. Afinal, que justificativa você me dá para um povo que precisa de união, mas demonstra claramente, infelizmente, preconceitos mil de naturezas diferentes? Mostrando que essa gente, essa gente do Brasil é muito burra e não enxerga um palmo à sua frente... Porque se fosse inteligente, esse povo já teria agido de forma mais consciente, eliminando da mente todo o preconceito e não agindo com a burrice estampada no peito.
A "elite", que devia dar um bom exemplo, é a primeira a demonstrar esse tipo de sentimento num complexo de superioridade infantil ou justificando um sistema de relação servil. E o povão vai como um bundão na onda do racismo e da discriminação... Não tem a união e não vê a solução da questão, que, por incrível que pareça, está em nossas mãos. Só precisamos de uma reformulação geral, uma espécie de lavagem cerebral.
Racismo é burrice. Não seja um imbecil. Não seja um ignorante. Não se importe com a origem ou a cor do seu semelhante. O quê que importa se ele é nordestino e você não? O quê que importa se ele é preto e você é branco? Aliás, branco no Brasil é difícil, porque no Brasil, somos todos mestiços. Se você discorda, então olhe para trás; olhe a nossa história, os nossos ancestrais. O Brasil colonial não era igual a Portugal: a raiz do meu país era multirracial. Tinha índio, branco, amarelo, preto... Nascemos da mistura, então por que o preconceito? Barrigas cresceram, o tempo passou. Nasceram os brasileiros, cada um com a sua cor. Uns com a pele clara, outros mais escura, mas todos viemos da mesma mistura. Então presta atenção nessa sua babaquice, pois como eu já disse, racismo é burrice.
Dê a ignorância um ponto final: faça uma lavagem cerebral. Racismo é burrice. Negro e nordestino constróem seu chão; trabalhador da construção civil conhecido como peão. No Brasil, o mesmo negro que constrói o seu apartamento ou o que lava o chão de uma delegacia é revistado e humilhado por um guarda nojento, que ainda recebe o salário e o pão de cada dia graças ao negro, ao nordestino e a todos nós. Pagamos homens que pensam que ser humilhado não dói.
O preconceito é uma coisa sem sentido. Tire a burrice do peito e me dê ouvidos. Me responda se você discriminaria o Juiz Lalau ou o PC Farias... Não, você não faria isso não! Você aprendeu que preto é ladrão. Muitos negros roubam, mas muitos são roubados, e cuidado com esse branco aí parado do seu lado, porque se ele passa fome... Sabe como é: ele rouba e mata um homem, seja você ou seja o Pelé. Você e o Pelé morreriam igual, então que morra o preconceito e viva a união racial.
Quero ver essa música você aprender e fazer a lavagem cerebral. Racismo é burrice. O racismo é burrice, mas o mais burro não é o racista; é o que pensa que o racismo não existe. O pior cego é o que não quer ver, e o racismo está dentro de você. Porque o racista, na verdade, é um tremendo babaca que assimila os preconceitos porque tem cabeça fraca. E desde sempre não pára pra pensar nos conceitos que a sociedade insiste em lhe ensinar. E de pai pra filho o racismo passa em forma de piadas que teriam bem mais graça se não fossem o retrato da nossa ignorância transmitindo a discriminação desde a infância. E o que as crianças aprendem brincando é nada mais nada menos do que a estupidez se propagando.
Nenhum tipo de racismo - eu digo nenhum tipo de racismo - se justifica. Ninguém explica! Precisamos da lavagem cerebral pra acabar com esse lixo, que é uma herança cultural. Todo mundo que é racista não sabe a razão, então eu digo: meu irmão, seja do povão ou da "elite", não participe, pois, como eu já disse, racismo é burrice. Racismo é burrice, e se você é mais um burro, não me leve a mal: é hora de fazer uma lavagem cerebral. Mas isso é compromisso seu, eu nem vou me meter. Quem vai lavar a sua mente não sou eu, é você.


"Racismo é burrice", Gabriel, o pensador.

Friday, July 13, 2007

Rock'n Roll!

Feliz dia do Rock ;p
And Billie, keep rocking!
:)

Thursday, July 05, 2007

A propósito de botas


"(...)Então considerei que as botas apertadas são uma das maiores venturas da terra, porque, fazendo doer os pés, dão azo ao prazer de as descalçar. Mortifica os pés, desgraçado, desmortifica-os depois, e aí tens a felicidade barata, ao sabor dos sapateiros e de Epicuro. Enquanto esta idéia me trabalhava no famoso trapézio, lançava eu os olhos para a Tijuca, e via a aleijadinha perder-se no horizonte do pretérito, e sentia que o meu coração não tardaria também a descalçar as suas botas. E descalçou-as o lascivo. Quatro ou cinco dias depois, saboreava esse rápido, inefável e incoercível momento de gozo, que sucede a uma dor pungente, a uma preocupação, a um incómodo...Daqui inferi eu que a vida é o mais engenhoso dos fenómenos, porque só aguça a fome, com o fim de deparar a ocasião de comer, e não inventou os calos, senão porque eles aperfeiçoam a felicidade terrestre. Em verdade vos digo que toda a sabedoria humana não vale um par de botas curtas."

"Memórias Póstumas de Braz Cubas", Machado de Assis
"Par de botas", Vincent Van Gogh

Monday, July 02, 2007

Burguesia

A burguesia fede. A burguesia quer ficar rica. Enquanto houver burguesia, não vai haver poesia. A burguesia não tem charme, nem é discreta. Com suas perucas de cabelos de boneca... A burguesia quer ser sócia do Country. A burguesia quer ir a New York fazer compras.
Pobre de mim, que vim do seio da burguesia... Sou rico, mas não sou mesquinho. Eu também cheiro mal, eu também cheiro mal.
A burguesia tá acabando com a Barra. Afunda barcos cheios de crianças e dormem tranqüilos... e dormem tranqüilos. Os guardanapos estão sempre limpos, as empregadas, uniformizadas. São caboclos querendo ser ingleses, são caboclos querendo ser ingleses.
A burguesia fede. A burguesia quer ficar rica. Enquanto houver burguesia, não vai haver poesia. A burguesia não repara na dor da vendedora de chicletes. A burguesia só olha pra si, a burguesia só olha pra si. A burguesia é a direita, é a guerra.
A burguesia fede. A burguesia quer ficar rica. Enquanto houver burguesia, não vai haver poesia.
As pessoas vão ver que estão sendo roubadas. Vai haver uma revolução ao contrário da de 64. O Brasil é medroso. Vamos pegar o dinheiro roubado da burguesia. Vamos pra rua! Vamos pra rua! Pra rua, pra rua...
Vamos acabar com a burguesia. Vamos dinamitar a burguesia. Vamos pôr a burguesia na cadeia, numa fazenda de trabalhos forçados. Eu sou burguês, mas eu sou artista. Estou do lado do povo, do povo!
A burguesia fede. A burguesia quer ficar rica. Enquanto houver burguesia, não vai haver poesia.
Porcos num chiqueiro são mais dignos que um burguês. Mas também existe o bom burguês, que vive do seu trabalho honestamente. Mas este quer construir um país e não abandoná-lo com uma pasta de dólares. O bom burguês é como o operário; é o médico que cobra menos pra quem não tem, e se interessa por seu povo... Em seres humanos vivendo como bichos, tentando te enforcar na janela do carro no sinal, no sinal...
A burguesia fede. A burguesia quer ficar rica. Enquanto houver burguesia, não vai haver poesia.
E eu também cheiro mal...
"Burguesia", Cazuza.

Thursday, June 28, 2007

Pois é...

Puta merda, se eu quiser sair com minha blusa vermelha com a foto de Che, minha boina preta e uma Caros Amigos debaixo do braço, eu saio, ora! Não era a minha professora de História que me chamava de revolucionária anarquista?!

E isso vindo de minha própria mãe...
só porque eu me recuso a ler Veja. -_-'
Che Guevara e Fidel Castro

Tuesday, June 26, 2007

Relato de Morte

Primeiro, as cores. Depois, os humanos.
Em geral, é assim que vejo as coisas.
Ou, pelo menos, é o que tento.

EIS UM PEQUENO FATO
Você vai morrer

Com absoluta sinceridade, tento ser otimista a respeito de todo esse assunto, embora a maioria das pessoas sinta-se impedida de acreditar em mim, sejam quais forem meus protestos. Por favor, confie em mim. Decididamente, eu sei ser animada, sei ser amável. Agradável. Afável.E, esses são apenas os As. Só não me peça para ser simpática. Simpatia não tem nada a ver comigo.
A Morte fala, em "A menina que roubava livros", Markus Zusak

Thursday, June 21, 2007

Por que eu amo meu país

Quando eu era pequena, costumava cantar o Hino Nacional toda segunda-feira, na escola. Passado um tempo, só usava o verde e amarelo em época de copa. Depois, percebi que as pessoas preferiam usar a bandeira de outros países do que a do Brasil. Foi assim, vendo a carência de meu país, que aprendi o porquê de amá-lo.
Amar o Brasil não é apenas se deleitar com suas praias paradisíacas, seu alegre carnaval e seu sucesso no futebol; é também conhecer a sua miséria e, mesmo assim, continuar a amá-lo. Com isso, deixei de lado minha euforia patriótica à cada vez que a seleção fazia um gol por um sentimento mais profundo, porque sei que amar o Brasil não é apenas meu dever de brasileira, mas também é necessário.
O Brasil precisa de mim. Em um país tão grande aonde as pessoas se unem para conseguir terra; tão farto, mas que não fornece alimento a sua população; tão rico, que deixa seus filhos nas favelas, é óbvio que algo está muio errado. Assim, eu não quero me juntar ao extenso grupo de brasileiros que odeia o Brasil -apesar de saber que seria muito mais fácil - porque sei que posso ajudar o meu país, que posso contribuir. E para fazer essa diferença, eu o amo.
Não vou embora do Brasil mesmo se tiver oportunidade; não vou fugir. Não vou apenas me zangar ao ver as desigualdades do país, vou também enxergar a chance de mudar a situação. Não vou falar que os brasileiros são preguiçosos e acomodados, vou falar que estão cansados de sofrer. E não vou, antes de tudo, dizer que odeio o meu país, porque sei que devo amá-lo.

Cidade de Deus, Rio de Janeiro.